segunda-feira, 29 de outubro de 2012

ENTREVISTA PARA "O JORNAL" OUTUBRO 2012


O JORNAL – Para o leitor de nosso jornal que ainda não o conhece, quem é Ademir Rafael?
ADEMIR RAFAEL – Sou natural da cidade de Mauá –SP, filho de pai lajedense(seu Josias Rafael)  e de mãe paulista, cheguei aqui em 1985, um ano de muitas chuvas. Aqui terminei a última fase da 8ª série do Ensino Fundamental (Deolinda Amaral) e o Ensino Médio (Escola Jornalista Manuel Amaral). Fiz licenciatura em História pela UPE e pós-graduação em Tecnologias da Educação pela PUC-RIO. Sou funcionário público efetivo das redes municipal e estadual de ensino desde o ano de 2006. Dirijo um projeto de música ”Projeto Música e Ação” com o apoio da Igreja Adventista do Sétimo Dia, onde atendemos cerca de 40 jovens e formamos a primeira orquestra de violinos da cidade. Sou apaixonado pelo meu ofício seja dando aula de História ou de Música. Cristão evangélico, pai de três filhos – Jéssica, Alan e a recém-nascida, Júlia e casado com uma psicopedagoga, Edvani  (minha cúmplice). Lajedense,” jus sanguinis”, sou muito feliz na cidade que vivo.
O JORNAL - Você criou um blog para analisar o período eleitoral em Lajedo, bem como um grupo no facebook onde se propôs a observar o cenário político local de forma imparcial. Passado os longos quatro meses, desde o início de suas avaliações. Que análise você pode fazer dos resultados obtidos nesses dois meios que você se propôs a escrever sobre as eleições?
ADEMIR RAFAEL – Primeiro tenho que dizer que me surpreendi com a aceitação do meu projeto. Foram inúmeras visualizações no Facebook e no blog, que tem um perfil um pouco menos popular, até o final das eleições foram 1.700 visualizações. Não esperava tanto. Foi uma experiência incrível, onde pudemos expor análises imparciais da campanha e interagir com nossos seguidores. Alguns concordavam, outros não, mas o importante é que o debate estava aberto e a participação do público virtual foi efetiva. Acredito que a missão foi cumprida e que a tendência é vermos tudo isso crescer com a popularização da informática e da internet. Em suma, valeu.
O JORNAL – O que te motivou a realizar essa tarefa tão árdua numa cidade onde a paixão política partidária ainda impera sobre a lógica da política social, principalmente no período eleitoral?
ADEMIR RAFAEL – Sou um educador. E a vida me agraciou com esse presente. Mas tenho consciência de que este ofício me trouxe, agregado, uma responsabilidade social. Já estava na hora de  retribuir o que a vida me oportunizou. Vivemos um momento em que a nova juventude se desperta para a cidadania e, mesmo que às vezes  inconsciente, para a política. É preciso que alguém as possa orientar nesse sentido e creio que essa seja uma das funções do educador. Enquanto pessoa tenho meu partido e preferências político ideológicas, mas como educador tenho a obrigação da imparcialidade junto ao meu público. Foi isso que tentei fazer.
O JORNAL – Qual a sua avaliação a respeito do período pré-eleitoral em Lajedo? Da escolha dos candidatos e das convenções partidárias?
ADEMIR RAFAEL – Ficamos ansiosos em saber os nomes que iriam concorrer ao pleito.  A escolha de Berto e Everaldo, embora tenha sido legítima, foi, na minha opinião, um erro. Não posso afirmar se foi um jogo de interesses ou de vaidades, mas a verdade é que vimos a coligação se esfacelar durante a campanha. Isso ocorreu por não existirem fatores sólidos para sua existência. Da mesma forma não teria escolhido Antonio João Dourado Filho para candidato. O nome Dourado, como foi comprovado, não teve força suficiente para levantar um jovem que pouco, ou nada havia mostrado por Lajedo. Em um momento de desgaste político era vital um nome mais forte. Jorge Wellington, Rômulo (se desimpedido fosse) e até mesmo Adelson teriam mais significado para o eleito r que  do que Joãozinho. Também não sei se foi a vaidade ou se um engano de estratégia. Rossine foi a escolha certa para o momento. O povo não estava aceitando as oligarquias e o nome Cosme não seria bem aceito. Pedro Melo abriu mão para se candidatar a vereador. O caminho estava aberto para quem já havia se tornado um nome forte de oposição. Quanto aos vereadores a variedade de perfis de candidatos foi a marca das convenções.
O JORNAL – Definido os candidatos e iniciada a campanha, os candidatos foram às ruas atrás do voto e aos poucos, até os eleitores mais críticos, ‘caíram na farra’ e defenderam com unhas e dentes seus preferidos. Como você entende esse envolvimento apaixonante do eleitor lajedense?
ADEMIR RAFAEL – As eleições em Lajedo a partir da década de 70 passam a ter um perfil de disputa futebolística. A razão, muitas vezes, deu lugar à emoção. Um único partido por muito tempo no poder pode ser a origem desta disposição. Muita gente se beneficia disso. Pois a paixão  é um inibidor do raciocínio crítico e quem está assim fica vulnerável às manipulações. Então os “interessados” ao invés de minora-la, acabam a fomentando. E a coisa é tão forte que mesmos os mais conscientes correm o risco de se influenciar.  Mas creio que isso está começando a mudar. Vejo sementes lançadas por toda cidade a começar germinar.
O  JORNAL – Que avaliação você pode nos fazer da campanha eleitoral deste ano?
ADEMIR RAFAEL – Infelizmente, tenho que dizer que foi uma das de pior qualidade desde que as tenho acompanhado. A insistência na criação do fato político determinante, nos fez ouvir a mais variada série de mentiras da história política de Lajedo. Não sei quanto os políticos têm a ver  com a divulgação das mesmas, mas diante delas se calaram, há não ser que  a denegrissem. Temos frisar que o eleitor está mais exigente. Com o ingresso de muitos jovens o nível de escolaridade aumentou, os debates públicos, a despeito de toda paixão, se tornaram mais concisos, aí o eleitor merecia menos promessas e mais esclarecimentos. Mesmo assim vi uma população mais interessada e uma evolução significativa na cidadania de nosso povo.
O JORNAL – Após a maiúscula vitória do candidato Rossine, a festa acabou ofuscada pela quebra da pirâmide localizada em frente a igreja Matriz de Santo Antonio. O que você achou deste ato que marcará para sempre a história política lajedense?
ADEMIR RAFAEL -  Posso analisar os dois lados da moeda. Primeiro entendo que Antonio João Dourado criou um símbolo de seu governo. Não me importa se maçônico ou não. Enquanto vivia sua popularidade isso lhe foi muito útil. Mas a roda gira. No momento em que houve uma reviravolta de mais de seis mil votos a irracionalidade emocional  dos eleitores os fez acreditar que podiam marcar a derrota com a quebra de um dos seus símbolos. Isso já aconteceu outras vezes na história, guardadas as devidas proporções e motivação. Não foi Rossine o responsável pelo ato, muito menos a maioria dos seus eleitores, mas muita gente ficou feliz pelo acontecimento.  Por outro lado destruição do patrimônio público é isso mesmo. Vandalismo é também é desse jeito. Podia se ter esperado pela posse do prefeito eleito. Um projeto feito e aprovado  pela  câmara legislativa. Vale lembrar que o monumento é patrimônio de todos nós.  E uma parte de nós ( mais de nove mil votos) não queriam que o ocorrido tivesse acontecido. Embora o ato seja entendível,  não deixa  de ser um crime.
O JORNAL – Passada as eleições e a escolha soberana do eleitor lajedense pelo candidato da oposição Rossine Blésmany (PSD), o que você espera do novo governo?
ADEMIR RAFAEL – Não desmerecendo a capacidade política do grupo de Rossine, essa eleição foi marcada pela rejeição ao nome Dourado. O povo demonstrou, claramente que não aceita continuísmos, despotismos e hegemonias oligárquicas. Rossine soube, astutamente, explorar essa rejeição. O raciocínio lógico e primário seria que sua administração fosse simplesmente antagônica à de seu antecessor. Mas precisa ser mais que isso. Precisa evoluir para a participação popular no governo. Vai precisar conciliar o fator político e o ético. O recado das eleições também lhe cabe. Vai precisar superar os limites do possível sem contaminar valores. O novo governo chega com uma vantagem – a empolgação natural daquele que teve a aprovação popular e quer fazer jus a ela. Não terá dificuldades com o legislativo, onde possuirá maioria, mas deve tomar cuidado para não o descaracterizar  como nas gestões anteriores. O legislativo tem que ser firme, saber e agir conforme suas funções. O novo prefeito deve estreitar seus laços com o governo do estado, pois, se não houver complicações políticas, pode ajudar muito a cidade. Em suma estou muito otimista quanto ao futuro de nossa cidade. Torço para que tenhamos mais sucesso que nas gestões do passado.
O JORNAL – Em sua opinião, quais foram as principais razões da queda do governo Dourado que já durava 16 anos em Lajedo?
ADEMIR RAFAEL – Posso lhe garantir que o governo Dourado não foi derrubado por suas realizações na cidade. Seremos ridicularizados pelos jovens se contarmos que as divergências políticas em outras eleições eram causadas por gambiarras, asfalto e quadras cobertas. Hoje temos tudo isso e muito mais. Um projeto de saneamento como o que temos é uma coisa superimportante.  Muitos projetos descarregaram importantes verbas em nosso município. O que o derrotou então? Podemos citar o desgaste dos anos. Esse mesmo período se por um lado faz com que se resista ao continuísmo, por outro torna os governantes e equipe mais déspotas e menos humanizados. Outro fator foi o fato do prefeito ter abandonado o mandato que a população lhe confiou para ir para outra cidade. Afinal com quem seria o seu compromisso? Ainda citaria que durante a campanha suas palavras não foram bem administradas. Nesse  contexto, as demandas não sanadas ganham importância supra.
O JORNAL – Mesmo Rossine tendo vencido com 3.432 votos de diferença para seu adversário, já observamos que existem pessoas querendo se opor ao seu governo, sem ao menos esperar para ver se o mesmo será exitoso. Como você prevê que será realizado o trabalho de oposição ao novo governo? E de que maneira enxerga a próxima eleição municipal em Lajedo, já visando quem poderia ser os principais adversários do novo prefeito?
ADEMIR RAFAEL -  É natural que aqueles que foram derrotados se façam oposição ao governo futuro. Enquanto população é razoável que entendamos que sucesso do governo Rossine será também o sucesso da cidade, da população e de cada um, individualmente. Quanto a oposição política estou prognosticando algumas mudanças de oposição para situação, mas isso é apenas uma intuição. Seja como for, a oposição tem um papel importante dentro do governo. É que, às vezes, os situacionistas se esquecem de fiscalizar o governo, como seria a função do legislativo. Aí é preciso que a oposição faça isso bem feito, com propriedade e argumentos verdadeiros e razoáveis e que coloquem a “boca no trombone” como era característica do, hoje prefeito eleito, enquanto vereador. A oposição não está para bloquear as ações do executivo, mas para ajudar o governo a fazer as mesmas ações dentro da legalidade que lhe é permitida. Quanto a possíveis candidatos, muita coisa vai rolar. Se Adelson não permanecer no ostracismo político em que o colocaram pode ainda ser um nome forte, assim como o de Jorge Wellington, mas não vejo, ainda, ninguém com o nome Dourado, da nova geração, com possibilidades para tal. Uma terceira frente política precisará de um novo contexto para se erguer nesse cenário. Mas como, disse, muita coisa vai rolar...

2 comentários:

  1. Parabéns Ademir Rafael pela entrevista cedida ao O JORNAL, atualmente o maior veículo de circulação impressa de nossa cidade. Seu papel como cidadão e formador de opinião foi reconhecido. Tenha a certeza que nada foi em vão. O caminho foi dado para novos debates propositivos em prol de nossa cidade. Você e seu Blog estão de parabéns!

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  2. Agradeço suas palavras, Kleber. Estaremos continuando este trabalho junto a vocês que podem fazer a diferença em nossa cidade!
    #estamosjuntos

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