quinta-feira, 30 de agosto de 2012

PARINTINS É AQUI!


Ao distraído turista que, sem perceber, acaba chegando às terras lejedenses  por esses dias, se atreva a entrar na cidade por outro motivo que não seja o turístico, é claro, e desavisado de qualquer que seja a mão orientadora e ainda passe aqui mais de uma semana terá a sensação de estar em outro lugar que não uma cidade do agreste de Pernambuco.

 Mais precisamente vai passar por sua cabeça desorientada que se encontra na região norte do Brasil.

Primeiro ele irá sentir um alto clima de rivalidade descompassada  no ar. Pessoas discutindo no bar, entre sons de automóveis  e patotas de todos os lados. Vizinhos se olhando pelos cantos dos olhos e patrões questionando seus empregados.

Quando de repente, não mais que de repente, depois de um dia de feira, onde se esperaria o recolhimento de todos pelo cansaço sai uma multidão com bandeiras vermelhas ao som de carros e gritos de “viva”, “urra” ou “uuuuuuuuiiiiiii”. Obviamente que ele sai correndo se afastando do perigo, pois pode ser distraído e desorientado, mas não é louco. E pega correr por alguns becos destes do centro da cidade, fruto do desplanejado crescimento da cidade, e qual não é sua surpresa quando encontra outra multidão com bandeiras amarelas e azuis com as mesmas características da outra manifestação. Afobado, depois de algum momento encontra um militar assistindo a passeata (me desculpem os militares que não fazem isso) e lhe pergunta: “- Meu senhor, o que significa isso?” ao que o atento soldado lhe responde: “- É apenas a campanha política!” O que mais espantado ainda o turista replica: “- O senhor tem certeza que essa disputa não é a de bois e que nós estamos mesmo é em Parintins?”

O MEU VOTO

Muito se tem cogitado sobre em que candidato a prefeito eu irei votar. Entenda meu caro leitor que como no início deste projeto prometi imparcialidade, não posso agora abandonar meus princípios. Mas para evitar especulações ao meu respeito deixo o texto abaixo:

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A HISTÓRIA POLITICA DOS BICHOS




Permita-me George Orwell ( que Deus o tenha ) usar de seu gênero literário, guardadas as devidas proporções e evidenciando minha limitação, para contar  minha fábula. Qualquer semelhança com a história política de nossa cidade é mera coincidência.

No princípio era apenas um bicho, não sabemos que bicho era, por que não precisa saber mesmo, porque era ele só. E assim sendo, não importa que bicho seja. O que importa é ser bicho. Bom, de certeza mesmo, sabemos que era bicho grande, porque ninguém chega para dominar feito um rei se não for grande como o cargo merece. Ninguém ousava falar do Bicho Grande, como foi chamado, pois eram outros tempos, em que não se sabia nada sobre oposição e fazer isso era proibido. Era viver a vida assim como ela é e está muito bom. Pelo menos estamos vivos.

Um dia o Bicho Grande não entendeu que já não era tão grande, tão absoluto e que os tempos já eram outros. Foi surpreendido então pelo urso que chegou muito forte e com a simpatia de todos os bichos de casta inferior – os pequenos bichos, aqueles que se sentiam explorados e esquecidos. Juntos derrubaram o Bicho Grande e colocaram o Grande Urso no poder. Foi só alegria! A gora os bichos estavam representados, pois o Grande Urso emergira dos pequenos bichos e agora ia tornar a vida melhor. Mas não foi bem assim. No começo todos os bichos tiveram paciência, mas muitos eram esquecidos pelo Grande Urso, que mesmo assim gozava de muita popularidade. Mas os filhos do Bicho Grande lhe faziam sombra e continuamente tentavam convencer os pequenos bichos a largarem o Grande urso acusando-o de mau administrador e mais parecidos com as antas e as arapongas, e seguirem a Águia Voadora que os levariam ao caminho da evolução. Mas o Grande Urso os subestimou. Para ele, era impossível que os bichos que  o levantaram tivessem capacidade de o derrubar então. E continuou seu governo de forma medíocre como que nada mais pudesse ser feito. Naquele momento, algumas coisas até pioraram e seu poder foi grandemente ameaçado pela Águia Voadora. Em um combate a Águia lhe deixou enormes cicatrizes nas costas, mas o Grande Urso resistiu  por mais algum tempo. Contudo, os pequenos bichos ficaram fascinados pelos voos rasantes da Águia Voadora. Sua envergadura era algo de espetacular que fazia os pequenos bichos ter esperança de serem melhores e se tornarem bichos médios. Os tempos novamente estavam mudados e não demorou até que a Águia Voadora se tornasse seu líder.

A Águia voadora conhecia muito bicho importante, o Falcão, o Tubarão e até mesmo o rei Leão e por isso conseguiu muitas coisas para os pequenos bichos que até se tornaram maiores (sem se tornar médios). Claro que muito bicho pequeno foi esquecido. E agora, como os tempos eram outros todos queriam estar à mesa da Águia Voadora, mas era muito difícil de chegar a sua casa, pois, ou estava em reunião com o Falcão, o Tubarão ou o Leão ou estava na altura de sua casa da montanha. E eis que chegam novos tempos e aparece o Cão Vigilante prometendo que o poder deve descer e que a Águia Voadora está tão gorda (porque tem o rei Leão na barriga) que já não impressiona com seus voos e que por estar tão distante deixou os pequenos bichos em situação de insegurança o que ele promete resolver.

Então os bichos estão em dúvidas e não sabem se permanecem com a Águia Voadora, mesmo desgastada ou se preferem o Cão Vigilante, mesmo sem saber do que ele é capaz.


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Assistencialismo nem sempre é sinônimo de vitória

Como postou no FACE, de forma muito apropriada, a amiga Halda Simões nossa política é baseada no assistencialismo. Sobretudo no nosso nordeste onde ainda são fortes, pasmem, os traços do coronelismo e da política de governadores. Nosso povo é muito carente, vítima do desprezo por seguidos anos por parte do governo central e com a perda da criticidade (peculiar de nossos dias) aguçada pela pouca educação, é 

exatamente o público preferido para este tipo de política. Em nossa cidade não é diferente e porque não dizer que de maneira explícita é desenvolvida. Por isso que tantas intrigas e competições são evidenciadas nesta época eleitoral. Em uma cidade onde se recebe metade do salário mínimo para trabalhar no comércio e a indústria simplesmente inexiste, a última (e única) alternativa para a maioria dos munícepes é esperar por um favor do generoso dirigente municipal. Antes fosse os critérios de recrutamento desses "esperançosos" a capacidade, mas os moldes do assistencialismo não o permitem. Neste caso o município perte duas vezes - ao não privilegiar os melhores e a perca na qualidade dos serviços! Isso não é característica tão somente dos governos atuais, tampouco por eles criada. Simplesmente a usam como sempre foi e continuará sendo enquanto a suportamos e lhes somos coniventes seja lá qual for o partido que esteja no poder. Contudo, devo alertar os candidatos que essa forma de governo produz um efeito colateral importante - a exclusão. Esta é produzida pela falta de capacidade de se atender ou "assistir" a maioria das pessoas com a máquina governamental. O excluídos são pacientes e tolerantes por dois ou três mandatos, mas são eles que derrubam o governo que lhes deu esperança. E não importa o que tenham feito pela cidade a coisa é pessoal assim como o é o assistencialismo. Derrubam este, o próximo e todos aqueles que se disporem com as mesmas práticas tornado-os vítimas de suas próprias políticas. Perde a cidade que se vê emperrada em desenvolver suas potencialidades. Por isso repito - mais que novos governantes, precisamos de jeito novo de governar!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

PROPOSTAS IMPLICAM EM QUESTIONAMENTOS



É muito fácil falar que, eleito, o prefeito trabalhará por melhorias na cidade e para as pessoas. Aliás, isso é até necessário que se diga  para acumular votos. Para o leigo e desatento é suficiente. Claro que se decepcionará com mais facilidade. Para alguém mais instruído e atento ao processo, algumas propostas geram novas perguntas que precisam ser respondidas sob o risco de todo o processo ser corrompido.

Quando o candidato Rossine se propõe a melhorar a polícia na cidade, está prometendo uma ação de competência do estado. A pergunta é: Quem o bancará no estado se até aqui os aliados do governador não conseguiram? Essas perguntas parecem inapropriadas para um processo com lisura, mas todos sabem que é assim que funciona.

Ambos os candidatos prometem valorizar a figura do funcionário público. Isso é muito bom de ouvir se você está nessa condição, mas é muito difícil de realizar. Atualmente. O funcionalismo público é uma pedra no sapato apertado de qualquer administração.

A receita de um município é um cobertor curto. Se você esquenta a saúde, falta para a infra estrutura, se cobre o funcionalismo, deixa os transportes à pé. Claro que há algo de errado aqui com tantos impostos que nos fazem pagar “dois quintos dos infernos” (quase 40% na classe média) e pouco retorno social, mas ainda não encontrei nenhum prefeito que tivesse a fórmula mágica da multiplicação das receitas e da perfeita administração.

Então como os senhores candidatos irão nos valorizar? Para isso além de ultrapassarem o obstáculo econômico, terão que negociar o problema político. Quantos são os contratados de nosso município? Sabemos que eles dão sustentação política à situação. E seja qual for o candidato vencedor será que vai querer acabar com eles. Irá trocá-los por funcionários efetivos. Duvido que isso aconteça e desta maneira não pode existir valorização.

Quando o candidato Joãzinho diz “Aperfeiçoar a Gestão da Previdência Social do Município, assegurando tranquilidade aos aposentados’’  o que está querendo, realmente dizer? Seguir a tendência de aumento das contribuições e aumento na idade de aposentadoria? Isso não seria muito popular. Ou será que investiria nosso dinheiro em fundos multiplicadores correndo o risco de ter prejuízo?

Esses são pequenos exemplos  que mostram que as coisas não são   tão simples como parecem e que o novo prefeito não basta ser bom para fazer estas coisas. Precisa ser excelente. Mais que competência é necessária vontade para que tudo aconteça. Meu voto só será dado a quem responder perguntas como estas. E o seu?